Quando pensamos em roupa para vestir para um fim de semana no campo, a primeira imagem que vem à cabeça costuma envolver galochas de borracha, calças de ganga arregaçadas e a camisola mais antiga do guarda-roupa. Foi exatamente contra este estereótipo que Carla Faustino decidiu, aos 50 anos, lançar a Ranchera Store, uma marca pensada para quem se recusa a perder o estilo nos cenários mais rurais.

Advogada de profissão e agente de execução, faz questão de frisar que é a “boa da fita”, sempre focada em resolver os problemas através de acordos. Além da carreira na área jurídica, onde gere o seu próprio escritório e mantém a carteira de clientes, dedica-se ainda ao imobiliário e à gestão de alojamentos locais.

 

Mas a mais recente aventura não envolve tribunais, nem empreitadas de remodelação de casas, mas a sua paixão pela moda e a necessidade de resolver um problema pessoais.

 

A vida no campo como inspiração


Carla sempre adorou planear os próprios outfits. “Não sou daquelas pessoas que vestem a primeira coisa que vem à mão”, confessa. Casada com um agricultor ligado à pecuária, os fins de semana são frequentemente passados no monte, uma vez que os animais precisam de ser alimentados todos os dias, quer seja sábado ou domingo. 

Para não deixar o marido sozinho e abdicar do tempo em família, começou a acompanhá-lo com os três filhos. Foi nessas idas ao campo que o problema surgiu. Carla queria vestir-se a rigor, de forma campestre e com um toque country, mas sentia uma enorme dificuldade em encontrar roupa que fosse gira, sexy e com personalidade.

As alternativas no mercado resumiam-se a roupa de caça, camisas aos quadrados ou fatos de treino. Por isso, a solução começou a desenhar-se na sua cabeça com a ajuda de uma inspiração internacional.

Ao longo dos anos, a família da empreendedora fez várias viagens aos Estados Unidos, um dos seus destinos preferidos. Numa das aventuras – que durou um mês -, o casal e os três filhos viajaram de Nova Iorque a São Francisco, passando pela Califórnia, Dallas e por toda a região do Texas.

Nessas zonas rurais americanas, o espírito country vive-se no dia a dia e, fascinados por esta cultura, compraram cinco chapéus de cowboy originais e viajaram de voo em voo com eles. Mais tarde, os filhos mais velhos fizeram o 12º ano em intercâmbio nos Estados Unidos, vivendo com famílias americanas em estados também rurais, como o Minnesota e o Michigan.

Quando iam para o monte em Portugal, a família já ia equipada com as roupas e os chapéus americanos, muito inspirados por séries como Yellowstone.

O processo criativo


A ideia surgiu há cerca de um ano, durante mais um dia no monte, em que Carla pensou: “porque não mandar fazer uma peça de roupa diferente de tudo o que há no mercado?”. Movida pela ideia, fez uma pesquisa na internet em sites americanos para ver se as calças de ganga que idealizara já existiam. Como não encontrou nada com o estilo que procurava, decidiu deitar mãos à obra.

Sem contratar designers e modelistas, aprendeu no YouTube como começar uma marca de roupa do zero e entrou em contacto com dezenas de fábricas. Após escolher a que mais se enquadrava nos seus princípios, esteve durante o último ano a acordar às três da manhã para falar com os fornecedores e transportadoras.

Tudo isto foi feito no mais absoluto segredo – à exceção do marido e dos três filhos – para que ninguém desconfiasse do projeto. Nem mesmo os pais de Carla sabiam no que a filha andava a trabalhar, até ao lançamento da página de Instagram da marca, há cerca de três semanas.

“As calças perfeitas”


O misterioso produto teve o lançamento oficial no final da tarde deste domingo, 15 de março, e são agora conhecidas as Rancheras Originais. “São as calças mais giras de sempre”, garante Carla Faustino, orgulhosa do resultado final.

A criadora garante que o design é “verdadeiramente inovador” e que “foi pensado ao milímetro para a vida no campo”, com materiais de excelência – 98 por cento de algodão de alta qualidade e apenas 2 por cento de elastano, “essenciais porque salto cercas com elas para ir tratar do gado e esticam lindamente”, explica.

Já a cor – ganga escura – foi pensada de propósito para disfarçar eventuais sujidades causadas por lama ou ervas no campo. Além desse detalhe, a peça conta ainda com cordões na cintura – semelhantes a atacadores, em tom camel – que permitem ajustar a peça ao corpo, podendo ser usadas mais apertadas, para marcar a silhueta, ou mais largas para privilegiar o conforto.

Por fim, o grande fator de diferenciação está no corte, por serem justas até ao joelho, abrindo a partir daí folhos em ganga para assegurar o estilo country.

Carla Faustino, garante que as Rancheras Originais são confortáveis para trabalhar no campo com botas texanas ou galochas, mas também se transformam num outfit perfeito para um jantar fora, podendo ser combinadas com sapatilhas ou até mesmo com uns saltos altos. “Se chegar a casa, tomar um banho rápido e quiser sair à noite com elas, fica lindamente”, sublinha.

Para a criadora, a marca não tem idade, sendo capaz de atravessar gerações, de uma jovem a partir dos 13 anos a uma senhora de 78 que goste de se arranjar. Mais do que a idade, para Carla a Ranchera exige atitude. “Foram feitas para mulheres com personalidade, que querem manter o seu estilo“, atira.

Numa edição limitada pensada para testar a recetividade do mercado, foram produzidas apenas algumas unidades iniciais das calças, que custam 49,90€, um valor que a fundadora considera convidativo e bastante competitivo face a outras marcas habituais nos centros comerciais, especialmente tendo em conta os custos de produção e a exclusividade do design.

Feita com 100 por cento de dedicação, investimento financeiro próprio e imenso prazer pessoal, a Ranchera Store já é uma realidade nas redes sociais e no seu site oficial.

Carla espera que a sua primeira criação esgote rapidamente e deixa o aviso a todos os fãs do estilo de vida rural: “a vida do campo nunca mais vai ser a mesma”.

 

Este texto foi retirado integralmente do artigo da New in Town - Évora e os direitos pertencem ao seu autor. Para ler o artigo original, por favor visite o site New in Town Évora